domingo, 21 de abril de 2013

A Leitura e a Dislexia






Ensinar disléxicos a ler e processar informações é processo longo

FLÁVIA PEGORIN
Colaboração para a Folha de S.Paulo
Ensinar disléxicos a ler e a processar informações com mais eficiência é um processo de longo prazo e que exige paciência.
Diferente da fala, que a criança acaba adquirindo pela convivência com outros, a leitura precisa ser ensinada --e aí aparece o problema. Utilizando métodos adequados de tratamento, muita atenção e carinho (pois crianças tendem a se sentir menosprezadas por portar o transtorno), a dislexia pode ser vencida.
Crianças disléxicas que receberam tratamento desde cedo superam o distúrbio e passam a se assemelhar àquelas que nunca tiveram problemas de aprendizado. Além disso, apresentam menor dificuldade ao aprender a ler, o que evita atrasos na escola, repetição de séries e até mesmo o desgosto pelo conhecimento.
Giovana Alvarez Morales, 13, só foi diagnosticada disléxica aos 11 anos. Até lá, sofria por ter notas baixas e pelos rótulos de ter um aprendizado "lerdo". A mãe, Maria de Lurdes, foi quem juntou todos os fatos e reconheceu os sintomas da garota.
"A escola não detectou a dislexia. Hoje, a Giovana vai à psicóloga para aceitar que tem o transtorno e conviver com isso e também à fonoaudióloga, para criar seus próprios dispositivos de reter a 'memória curta'", diz Maria de Lurdes.
A memória recente é mesmo um problema para os disléxicos. Giovana, por exemplo, se esquecia de avisos comuns da sexta série, como uma prova oral para o dia seguinte. Assim, deixava de estudar e tirava notas ruins.
"Conheci pais que se mortificavam por terem chegado a bater nos filhos achando que eles tinham falta de aplicação, sendo que se tratava de dislexia", conta Maria Ângela Nogueira Nico. Ela acredita que os testes para detectar dislexia deveriam ser obrigatórios nas escolas, já que a taxa de pessoas afetadas pelo distúrbio é grande.
Tratamentos
A maioria dos tratamentos para dislexia enfatiza a assimilação de fonemas, o desenvolvimento do vocabulário, a melhoria da compreensão e a fluência na leitura. Esses métodos ajudam o disléxico a reconhecer sons, sílabas, palavras e frases --pois, para eles, cada termo lido acaba se parecendo com uma "nova palavra".
É aconselhável que a criança disléxica leia bastante em voz alta para que possa ser corrigida no ato. Alguns estudos sugerem que um tratamento adequado e ministrado bem cedo pode corrigir as falhas nas conexões cerebrais a ponto de elas se tornarem mínimas --isso no caso de dislexia leve, mas, mesmo para portadores de grau médio ou severo, um tratamento direcionado pode diminuir os sintomas. Como os disléxicos costumam ser muito inteligentes, tendem a ativar outras áreas do cérebro para compensar suas perdas de memória e concentração.
Muitos especialistas sugerem, inclusive, que pessoas disléxicas, por serem forçadas a pensar e aprender de forma diferente, se tornam mais criativas e têm idéias inovadoras que superam as de não-disléxicos. Pode não ser determinante, mas vale lembrar que algumas personalidades que se tornaram célebres também eram portadoras desse distúrbio, entre elas o desenhista Walt Disney, a escritora Agatha Christie, o inventor Thomas Edison e o ator Tom Cruise (que diz ter sofrido muito no início da carreira para memorizar seus roteiros).
Mesmo que a dislexia não seja curada, conviver com ela é necessário. Os portadores têm, inclusive, direitos assegurados por lei. Crianças com dislexia podem, por exemplo, pedir para refazer provas orais, ter uma hora a mais nas provas escritas e usar livremente uma calculadora.
Giovana, muito discreta, prefere usar um lápis com a tabuada impressa. Ela teme ser tachada pejorativamente, como se tivesse uma doença contagiosa. Apenas quando conhece melhor a pessoa ela vence o cuidado de disfarçar a dislexia, o transtorno tão comum e tão desconhecido.



http://www1.folha.uol.com.br/folha/equilibrio/noticias/ult263u4475.shtml

sábado, 13 de abril de 2013

Repensando o Planejamento




 É comum, para nós professores, fazermos o nosso planejamento anual a cada início de ano. Algumas vezes fazemos não mais que pequenas alterações, tentados que somos a ceder às facilidades que a tecnologia nos permite. Basta um click e já surge à nossa frente o planejamento feito no ano anterior, prontinho pra ser enviado à coordenação da escola. Basta alterarmos as datas e pronto. Pois é professor, mas para realizarmos um trabalho coerente e que venha realmente de encontro às necessidades de aprendizagem de nossos alunos precisamos ir um pouco além. A esta altura do ano seria muito interessante para nossa prática em sala de aula que nos debruçassemos novamente sobre o nosso plano anual e analisássemos se o que planejamos no início do ano vai realmente de encontro às necessidades de nossos alunos. Agora que já conhecemos melhor o nosso grupo é hora de reavaliarmos nossos objetivos, levando em consideração as especificidades de cada turma. Será que o meu planejamento do início do ano está aquém ou além das possibilidades do grupo? Será que esta estratégia é mesmo a melhor para alcançar o objetivo com aquele grupo de alunos? Posso ousar um pouco mais aqui, "puxar" o meu grupo para que avance um pouco mais ali...Repensar, esta é a palavra de ordem. É de vital importância que o professor esteja disposto a reavaliar, reciclar, renovar a cada bimestre ou pelo menos a cada semestre as suas prioridades, os seus objetivos e redefinir junto com o seu grupo de alunos o que foi planejado inicialmente. O planejamento deve ser moldado de acordo com os alunos e não o contrário.

Sílvia Maia - Coordenadora Pedagógica

  

quinta-feira, 7 de junho de 2012

Características da Dislexia

Quais são as principais características da dislexia?
Os sintomas ou características específicas mais comuns da dislexia são os seguintes:
Em relação à leitura
  • Leitura titubeante, claudicante;
  • Troca de grafemas (letras) semelhantes: p q b d; acréscimos, inversões, omissões e repetições de grafemas;
  • Falta de ritmo, lentidão, falta de pontuação, repetição ou salto de linha, leitura mecânica ou inexpressiva;
  • Não compreende, não interpreta o que lê;
  • Não gosta de ler, foge das situações em que tem de ler, nega-se a fazê-lo.
Em relação à escrita
  • Escrita espelhada;
  • Mistura de grafemas maiúsculos com minúsculos;
  • Repetição de grafemas, sílabas ou palavras;
  • Dificuldade em utilizar os elementos gramaticais e a estrutura sintática da frase (na percepção do tempo, gênero e número das palavras e na função sujeito + verbo + complemento);
  • Escrita repassada, rasurada;
  • Lentidão (para registrar um ditado, para copiar da lousa, para responder a uma questão, na escrita espontânea, etc.);
  • Trocas visuais (ex.: p q d b), auditivas (ex.: t/d, v/f, j/ch/x, k/g, p/b) e espaciais, tais como: omissões (ex.: escola/ecola), acréscimo (ex.:fique/fiaque), inversões (ex.: prato/parto), aglutinações (ex.: o menino é legal/omenino é legal), dissociação (ex.: o vagalu me) de grafemas e apresentação de logatomas (palavras sem significado. Por exemplo: mineque, bidama, lofima);
  • Escrita de numerais, apresentando a rotação de algarismos (ex.: 6/9);
  • Inversão de algarismos ou troca por outro de som semelhante (ex.: 24/42; 60/70).
Outros
  • Dificuldade na aquisição e desenvolvimento das habilidades lingüísticas de uma maneira geral;
  • Dificuldade para aprender seqüências referentes ao dia, à semana, ao mês, ao ano;
  • Dificuldade com análise e síntese do som de uma palavra;
  • Dificuldade na linguagem e na fala: vocabulário pobre, disnomias (dificuldade em nomear ou reconhecer nomes de pessoas, coisas e objetos), sentenças curtas e imaturas;
  • Reconhecimento pobre de rima e aliteração (repetição de letras ou sílabas no início da palavra. Por exemplo: “casa, casado, casamento; tapa, tapado, tapete);
  • Desatenção e dispersão;
  • Dificuldade com a coordenação motora fina: disgrafia (dificuldade para escrever letras, numerais, sinais...) e desenhos;
  • Dificuldade com a coordenação motora grossa: “desengonçado” nas aulas de Educação Física, por exemplo;
  • Desorganização geral: do material escolar, nos trabalhos escolares (lição de casa, pesquisas, etc.);
  • Dificuldades visuais: postura da cabeça, desorganização no espaço da folha do caderno, confusão entre direita e esquerda (lateralidade), dificuldade para ler mapas, manusear dicionários, etc.;
  • Dificuldade com a memória imediata: instruções, dígitos, tabuadas, fonemas, etc.;
  • Dificuldade para ordenar e resolver problemas de matemática (discalculia) e desenho geométrico;
  • Dificuldade com a perspectiva no desenho;
  • Dificuldade para aprender língua estrangeira. O Inglês, por exemplo, possui fonemas e grafemas não utilizados em Português e é regido por sintaxe diferenciada;
  • Problemas de conduta na sala de aula: “exibicionismo”, timidez, recusa em fazer e participar de atividades. (http://www.ensm.org.br/orientacao_educacional/dislexia/caracteristicas_dislexia.htm

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011